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Boca Preta Vê Trabalhadores de Rua, em seu táxi


O homem da cobra, cortador de vidro, acrobacia com facas, o gato dentro da caixa de papelão, a telepata, ambulantes, hot dog. São apenas trabalhadores de rua de São Paulo. Alguns dão um verdadeiro show em plena praça pública.

Na Praça do Patriarca, conheci o Gildásio, o acrobata das facas. Primeiramente, ele espalha seus apetrechos na calçada, ao seu redor. Um jogo de facas e facões, um círculo com facas incrustradas, garrafas e outras coisas. Com um giz, ele fecha um círculo num raio de 10 metros. Ele anuncia seu número, enquanto as pessoas se aglomeram. Diz ter mais de 40 anos de idade, que está em plena forma física e faz coisas fantásticas, graças ao "óleo de peixe boi", que ele mesmo vende ali. Antes de começar o espetáculo das facas, demonstra força quebrando gafarras no braço, na cabeça e passa o tempo todo a pomada do "óleo de peixe boi" para evitar as dores. A platéia fica entretida ao ver sua habilidade com as facas. A cada três minutos, faz a propaganda do famoso "óleo de peixe boi do Amazonas". No ápice do show, salta por dentro de um aro incrustrado de facas, tal qual o leão do circo, atravessa um círculo em chamas. No final do espetáculo, recebe alguns trocados em seu boné e vende várias latinhas de "óleo de peixe boi" (sempre repetindo), para curar todas as doenças.

Tem outro maluco que fica com um pedaço de pau na mão e próximo a ele, tem uma caixa de papelão, no chão. Com uma palheta entre os dentes, emite sons que lembra um gato miando em desespero. Com a madeira bate na caixa, "o gato grita". Alguém passa por perto, ele novamente bate na caixa e o "gato grita". Quer dizer, ele induz as pessoas que há verdadeiramente um animal feroz dentro da caixa. Seu propósito é vender essa "palheta" que faz som de gato.

No centro da cidade, também tem o casal de telepatas. Dizem que são pai e filha. A garota fica com uma venda nos olhos e o pai pede para ela se concentrar na mente dele e dizer qual o objeto que este está segurando nas mãos. Normalmente, os objetos são documentos de identidade, relógio, brinco, dos espectadores. O show de pai e filha é tão bem ensaiado, que quase acreditamos que são verdadeiros telepatas. Vale a pena conferir.

O "vidraceiro", monta sua mesa em local bastante populoso. Em sua bancada, coloca vários pedaços de vidros de tamanhos e espessuras diferentes. Com um "cortador de vidro" que mais parece um estilete, demonstra sua habilidade cortando as lâminas, como se fossem manteiga. Vende esse aparelho (cortador) a preço de banana, mas o comprador, ao chegar em casa, descobre que este não corta nem água...

Existem outros milhares de trabalhadores de ruas. São os "marreteiros" ou "camelôs". Vendem de tudo em pequenas barracas montadas nas calçadas. Os produtos variam desde hot dog a peças de computador. Quando a fiscalização chega, eles saem correndo com suas sacolas.

Já comprei várias coisas desses "marreteiros": mentex, canetas, adesivos, chaveiros e até um coelho de pelúcia de páscoa(soltava muito pêlo...).