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Boca Preta vai à praia


No dia 7 de fevereiro de 1998, eu vi um disco voador pousar aqui.













É uma merda ir à praia e encontrar os velhos problemas de São Paulo lá. O trânsito que os babacas fazem na cidade, no final de semana, vão fazer na Baixada.

Sempre gostei do mar, mas a gente vai vendo cada coisa, que você passa a odiar. Certamente você já deve ter passado por isso:

Você não odeia...



... voltar para casa e descobrir que não há água no prédio e vai ter que ficar todo salgado até o dia seguinte?

... ser obrigado a enbarcar num carro tão aquecido quanto uma sauna devido aos causticantes raios solares, após algumas horas estacionado na orla marítima?

... comparar a sua pança (barriga) de trabalhador com a figura caricata dos ginastas do pedaço?

... ser atingido nos cornos por uma bola de frescobol, quando a dupla de jogadores é constituída por halterofilistas contra os quais é impossível reagir?

... ver os playboys esbanjarem combustível enquanto você tem que andar cinco quilômetros para chegar à praia só para economizar meio litro de gasolina?

... encontrar um cocô enterrado quando vai pegar a sandália que o vento sepultou na areia?

... ser privado de entrar na água no mais fudido dos verões porque um navio qualquer apresentou vazamento de óleo que atingiu toda a área marinha?

... ser gringo ou descendente deles e ficar todo vermelhão, sujeito a queimaduras de terceiro grau, só porque a sua pele não suporta os raios solares mais intensos?

... quando alguém dá uma cortada no jogo de vôlei e a bola passa rente à cabeça de sua sogra sem atingi-la?

... assistir junto com o dragão de sua mulher a passagem de um veleiro repleto de fêmeas da melhor qualidade?

... ter que atravessar uma grande extensão de areia escaldante em pleno verão, com os pés em brasa, só porque arrebentou a tira da sandália de dedão?

... ver um grupo de farofeiros vespertinos chegar à sua praia logo depois que os lixeiros a deixaram limpinha?

... vir do subúrbio distante carregando a sua estrupiada prancha num rack cafona no teto do seu carro e descobrir que naquele dia o mar não apresenta nenhuma onda?

... ser obrigado a receber a respiração boca-a-boca de um salva-vida depois de quase se afogar numa corrente marinha?