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Carros X Motos

Eles estão distribuídos por todas as ruas, avenidas e marginais da cidade e já se incorporaram ao trânsito cotidiano da cidade. À postos de uma motocicleta, o motoboy entrega pizza, comida chinesa, remédios, talões de cheque, documentos e cartões de crédito. Transportam bolsas de sangue e até órgãos humanos. De seguanda à sexta-feira, aos sábados, domingos e feriados, durante o dia e pela madrugada a dentro, expostos ao sol e à chuva, lá estão eles correndo contra o tempo e arriscando suas vidas para entregar as mais diversas encomendas, perfazendo um percurso diário que pode chegar aos 300 km.

Se agilidade é o ingrediente básico para a presteza na execução de um serviço, amor e ódio são os sentimentos que os motoqueiros acabam despertando nos outros motoristas paulistanos, que reclamam das fechadas que levam no trânsito, da perda de espelhos retrovisores, dos chutes nas portas laterais, do nervosismo e das irritantes e intermitentes buzinas.

Para o presidente da União dos Motociclistas e Afins do Brasil (Umab), Aldemir Martins, de 28 anos, tanta adrenalina e estresse têm explicação. "O motoqueiro trabalha 16 horas por dia para ganhar, em média, R$ 600,00 por mês. Além disso, 80% da categoria não tem registro em carteira e recebe R$ 5,00 pela hora trabalhada".

Segundo Aldemir, usar a moto como instrumento de trabalho, às vezes, é a única alternativa de trabalho que esses jovens tem. "Não existe nada de aventureiro e rebeldia na escolha dessa profissão. O motoqueiro opta por essa alternativa de trabalho para fugir do desemprego e porque precisa pagar o aluguel da casa onde mora, sustentar a família, quitar o financiamento de sua ferramenta de trabalho e arcar com outros compromissos", frisou Aldemir.

Com o apoio da Centra Única dos Trabalhadores (CUT), a Umab reinvidica, junto a Prefeitura, a criação da Unidade Tarifária Motofrete (UTM). "A categoria tem muitas reinvidicações a fazer, pois não queremos mais ser marginalizados pela sociedade. Queremos a diminuição da perseguição policial, pois nos tratam como bandidos. Também falta, por parte das autoridades competentes, apoio ao motociclista, que não tem representatividade", afirma Aldemir, que continuou: "Não temos lugar para estacionar. Além do mais, as ruas da Capital não estão adequadas para atender a demanda de motoqueiros que existe hoje", disse o presidente da Umab, que também é motoqueiro.

Outro assunto preocupante é com relação ao número de acidentes com motociclistas. Dois motociclistas morrem a cada três dias no trânsito de São Paulo. Mais de 150 motoqueiros perderam a vida até novembro deste ano. "O motociclista trabalha sob pressão. Ele tem prazo para entregar uma encomenda. Se ele atrasar, o cliente liga para a empresa reclamando da demora. A empresa, por sua vez, liga para o celular do motoboy e exige dele mais rapidez no trajeto. Quando o acidente acontece, muitos ficam paraplégicos e são abandonados pelas empresas em que prestavam serviços".


Jornal do Trânsito

5 de dezembro de 2000 - pg. 03



Sou motoqueiro há dez anos e também fiz o curso de Pilotagem Segura da CET em agosto de 1999.

Concordo em partes com o "cachorro louco". Os motoboys são explorados mesmo por empresas. Recebem uma mixaria por serviços que os táxis faziam antes deles aparecerem. Motoboys são feitos de trouxa por bostinhas de secretárias, que passam serviço de última hora. Ou são esculhanbados por chefe cu-de-ferro de seção.

Mas, também, não vão se fazer de coitadinhos. Tem muito pai de família pilotando, mas tem muito nóia cheio de pedra na cabeça, aprontando com moto. Sobem calçadas, atropelam pedestres e animais, quebram retrovisores dos carros... Andam com a porra da moto como se fosse bicicleta!

Um dia estava parado no trânsito da descida da Av. Consolação, quando vi uma mendiga muito velha, atravessando entre os carros com um prato de comida na mão (marmitex). Gritava toda contente com sua amiga que estava do outro lado da rua: "Ganhei um rango da hora!". De repente, um motoboy vindo em alta velocidade "apenas" esbarrou nas mãos da mendiga. O prato de comiga foi pelos ares e a velha começou a chorar e o puto do motoboy nem olhou para trás.

Está na hora de parar também essa palhaçada de gang e falsa amizade. Quando um motoqueiro cai, pára 30 "para ajudar". Vi um carro derrubar um motoqueiro e fugir, um outro carro parou para ajudar e em poucos minutos foi incriminado por uma gang de motoqueiros que parou por ali. Com os capacetes, começaram a depredar o carro desse motorista, sem saber de porra nenhuma que estava acontecendo. Quase todo mundo entrou na briga, foi o maior sururu.

E tem muito motoboy covarde que se vinga do motorista esperando este passar e depois volta por trás, de surpresa, para quebrar o espelho.

E sem contar da imensa quantidade de assaltantes que andam de moto por aí. Cuidado ao deixar objetos nos bancos do veículo. Quando páro minha moto ao lado de um carro num farol, posso ver em detalhes os objetos dentro do carro, inclusive, dá para ouvir muito bem o que é conversado no celular. Universitários idiotas sempre deixam pastas e cadernos nos bancos, são um prato cheio para assaltante motoqueiro. Desconfie: dois caras numa moto e outro ao lado sozinho, provavelmente são assaltantes.

Deixando essa nóia pra lá. Nos finais de semana gosto de pilotar. Só quem te tem uma moto sabe como é legal a sensação de liberdade. Não é propaganda da Honda.