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Os Primeiros Tempos do Futebol
As primeiras referências na história a um esporte que pode ter sido o "vovô" do futebol remontam ao ano 2500 a.C. e sua invenção é atribuída ao imperador chinês Huang-ti. O jogo tinha por finalidade treinar soldados. Era disputado com uma bola de couro que se lançava além de duas estacas cravadas no chão.
Na antigüidade grega apareceu uma variante desse jogo, denominada epyskiros. Era praticado em Esparta no século I a.C. por equipes de quinze atletas que chutavam uma bexiga de boi cheia de areia. Pouco depois, surgia em Roma o harpastum, considerado o primeiro futebol jogado com esquema preestabelecido. Os militares que o disputavam dividiam-se em dois grupos: defensores e atacantes.
Na Idade Média apareceu na Itália o gioco del calcio, com equipes formadas por 27 jogadores, geralmente nobres. O gol era marcado quando a bola passava por cima de dois postes.
Na segunda metade do século XVII, os partidários do rei Carlos II, refugiados na Itália, levaram o gioco del calcio para a Inglaterra quando seu soberano foi restaurado no trono. Para este jogo o terreno tinha que medir 120 por 180 metros e em suas extremidades havia dois postes de madeira, chamados goal. A bola já era de couro, cheia de ar.
Na Inglaterra o futebol começou a evoluir e transformar-se num esporte escolar. Mas suas regras variavam muito, especialmente quanto ao uso das mãos no jogo. De 1810 a 1840 surgiram inúmeras regras com os nomes dos colégios onde o jogo era praticado: Eton, Harrow, Rugby, Shresbury, Westminster. Cada regra, porém, tinha características próprias, impedindo a disputa entre equipes de colégios diferentes. A questão foi resolvida em 1848, numa conferência realizada em Cambridge, onde se estabeleceu um código único de regras que serviria de base às leis atuais do futebol.
Notts County, o mais antigo clube de futebol inglês, pertencente até hoje à Football League (Liga de Futebol), aparecia em 1862. No ano seguinte era fundada em Londres a Football Association, que adotava, com ligeiras modificações, o regulamento de Cambridge.
A primeira partida internacional foi realizada em 1863 no Queen's Park de Glasgow, entre as representações da Escócia e Inglaterra, registrando-se um empate de 0 a 0. Em 1883/84 realizava-se o primeiro torneio internacional do mundo: o Campeonato Interbritânico.
Sempre na Inglaterra, o futebol foi sofrendo uma acelerada evolução. Por isso, 1885 iniciava-se lá o profissionalismo no futebol. No ano seguinte era criado o Internacional Board, entidade encarregada de fixar e eventualmente mudas as regras do jogo. Para regulamentar o futebol profissional e organizar campeonatos fundou-se em 1888 a Football League.
A questão da arbritagem foi resolvida em 1890, com a definição e legalização das atribuições do juiz. Em 1891 era criado o pênalti, por sugestão da Federação Irlandesa.
A FIFA (Federação Internacional de Football Association), entidade que preside ao futebol no mundo, era fundada em 1904 em Paris, mesmo sem o apoio da Inglaterra. Somente no ano seguinte os ingleses aderiram à entidade.
Nos Jogos Olímpicos o futebol foi admitido em 1908. No jogo decisivo a Inglaterra venceu a Dinamarca por 2 a 0. Nos jogos de 1924, em Paris, o futebol sul-americano começava a aparecer no cenário internacional: o Uruguai ganhava a final por 3 a 0, derrotando a Suíça. Em 1928 a seleção uruguaia sagrava-se bicampeã olímpica em Amsterdam, na Holanda.
Finalmente, em 1929 acontecia o fato mais marcante na história do futebol: a FIFA decidia realizar a primeira Copa do Mundo, disputada no Uruguai em 1930. Assim, o futebol afirmava-se como o esporte mais popular do mundo.
História do Futebol Brasileiro
_ Olha aí! Vê se tem cabimento... vinte e dois marmanjos brigando por uma bola!
_ Por que não dão uma bola para cada um? Assim eles parariam de brigar!
Possivelmente foram mais ou menos estes os comentários feitos pelos curiosos que assistiam àquela histórica partida de futebol em abril de 1895, sem entenderem nada do novo esporte. O local: Várzea do Carmo, em São Paulo. Protagonistas: dois times formados por ingleses radicados na capital paulista, funcionários da Companhia de Gás, de um lado, e da São Paulo Railway, do outro. Resultado: 4 a 2 para a São Paulo Railway. Nascia o futebol no Brasil.
Mas a história do futebol brasileiro começara no ano anterior, em 1894, quando Charles Miller, paulista filho de ingleses, chegava da Inglaterra, onde fora estudar, trazendo em sua bagagem duas bolas de futebol, livros sobre as regras do jogo e sua experiência como jogador do time inglês do Southampton e da seleção do condado de Hampshire.
Entusiasta desse esporte, Charles Miller incentivou a formação de quadros de futebol. E em pouco tempo o esporte bretão passava a interessar os brasileiros. Tanto assim que já em 1898 estudantes do Mackenzie College (SP) fundam o primeiro clube brasileiro para a prática do futebol: a Associação Atlética Mackenzie. O São Paulo Athletic, clube de ingleses, logo organiza seu departamento de futebol. Seguem-se o S.C. Internacional e o S.C. Germânia (hoje E.C. Pinheiros), e outros clubes em todos os estados do Brasil. Em 1900 surgem o S.C. Rio Grande (RS) na cidade do mesmo nome e a A.A. Ponte Preta em Campinas (SP), atualmente os mais antigos clubes de futebol no Brasil. E ao raiar do século XX, em 1901, realizam-se os primeiros jogos entre as equipes paulista e carioca, com dois diplomáticos empates: 1 a 1 e 2 a 2.
Em 1902 disputava-se o primeiro Campeonato Paulista, sagrando-se campeão o time do São Paulo Athletic Club. Nesse ano é fundado no Rio o FLuminense F.C.
O futebol já provoca entusiasmo popular. O Brasil vai ficando bom de bola. Em 1906 a Seleção Paulista joga sua primeira partida internacional oficial no Velódromo, em São Paulo, contra uma seleção sul-africana. Perde por 6 a 0, mas valeu a experiência.
Para ganhar mais técnica, o C.A. Paulistano vai buscar know how na pátria do futebol, contratando o técnico inglês John Hamilton. Em 1910, o Fluminense promove uma excursão do time do Corinthians da Inglaterra, que alcança retumbantes vitórias em gramados brasileiros. Apesar das derrotas, os brasileiros ganham em experiência e conhecimentos. E em homenagem a esse time inglês é fundado em São Paulo um clube que seria muito famoso no futuro: o Sport Club Corinthians Paulista. O Flamengo, outra legenda viva do futebol brasileiro, surge em 1911, no Rio.
Aos poucos o futebol brasileiro vai-se organizando. Em 1913 o time do Americano, reforçado por Formiga e Friedenreich, consegue a primeira vitória brasileira no exterior: 2 a 0 sobre o combinado de Buenos Aires. No ano seguinte é fundada a Federação Brasileira de Sports que, em 1916, passa a chamar-se CBD (Confederação Brasileira de Desportos), reconhecida pela FIFA em 1923.
Mas à Europa o futebol brasileiro só chega em 1925, representado pelo Paulistano, que disputa dez partidas, vencendo nove!
Os jogadores já estão amadurecidos: querem ser reconhecidos como profissionais. E conseguem essa vitória em 1933, quando é disputada em Santos e peimeira partida de futebol profissional no Brasil, entre o Santos F.C e o São Paulo F.C.
Bom futebol merece bons estádios. Por isso, em 1940 é inaugurado em São Paulo o estádio do Pacaembu e em 1948 é lançada a pedra fundamental do Maracanã.
O Vasco é o primeiro time brasileiro a vencer um certame no estrangeiro: o Torneio dos Campeões, em 1948, no Chile. E nesse mesmo país o Brasil vence, em 1952, o I Campeonato Pan-Americano. A evolução culmina em 1958 na Suécia, com a conquista, pela primeira vez, da Copa do Mundo. Quatro anos depois torna-se bicampeão mundial, jogando novamente no Chile. O Brasil consolida-se como a meca do futebol, o rei do esporte criado pelos ingleses. O antigo aluno tornava-se o mestre dos mestres. Confirmando essa supremacia, o Santos F.C. ganha seguidamente, em 1962/63, o campeonato mundial interclubes. Embora tenha malogrado na Inglaterra em 1966, já na Copa seguinte, no México, em 1970, a Seleção Brasileira realiza o grande sonho nacional: a conquista do tricampeonato mundial. Em 1972, a vitória na Copa Independência é encarada como fato natural. Assim, de vitória em vitória, o Brasil mantém a fama de possuir o melhor futebol do mundo.
O Milésimo Gol
Suspense! Emoção! Pelé começa a correr em direção à bola. O público do Maracanã está ansioso. Todos aguardam, na partida entre Vasco e Santos, o gol histórico. Com sua classe habitual, Pelé chuta a bola e marca o seu milésimo gol. São 23 horas e 11 minutos do dia 19 de novembro de 1969. A torcida manifesta-se ruidosamente com rojões, gritos e palmas. Emocionado, Pelé saúda a torcida e dedica o gol às crianças vitimadas por uma inundação em São Paulo. Era o Dia da Bandeira, e, naquele exato momento, São Paulo sofria uma inundação desastrosa, ao mesmo tempo em que o homem pisava na face da Lua pela segunda vez.
O Diamante Negro
Leônidas da Silva foi um jogador tão precioso no futebol brasileiro que ganhou o apelido de Diamante Negro. Nascido em 1913 no Rio de Janeiro, com 17 anos já defendia o Bonsucesso. Logo aquele jogador, que prometia ser um dos maiores centroavantes do futebol brasileiro, começou a ser disputado por vários clubes. O Peñarol de Montevidéu ganhou a parada e Leônidas foi jogar no Uruguai.
De volta ao Brasil em 1934, entrou no Vasco da Gama e nesse mesmo ano participou da Copa do Mundo. Mas foi na Copa de 1938, na Itália, que o grande futebol de Leônidas brilhou mais intensamente. Como artilheiro do certame, marcou para o Brasil 7 gols em quatro jogos! Em 1941, Leônidas, que jogava pelo Flamengo, transferiu-se para o futebol paulista, contratado pelo São Paulo. Sua estréia no São Paulo fez tanta sensação que marcou um recorde de público: mais de 70 000 pessoas lotaram o Pacaembu para ver o "Diamante Negro".
"Pendurando as chuteiras", Leônidas tornou-se primeiramente técnico do São Paulo; depois passou a ser comentarista de futebol de uma emissora da capital paulista.
A "Bicicleta" de Leônidas
Ele se jogou no ar, de costas para o gol, com o corpo na horizontal e, quando a bola passou por cima, chutou-a para trás, marcando um gol antes nunca visto. Assim, Leônidas da Silva inventava a "bicicleta", verdadeira acrobacia futebolística que requer agilidade e grande capacidade de improvisão.
Hoje em dia qualquer jogador sabe dar uma "bicicleta". Mas o primeiro gol feito dessa forma foi de Leônidas, que se caracterizou por suas bicicletas famosas.
_ É possível que o gol de bicicleta não seja criação minha, mas antes de mim nunca vi ninguém fazê-lo - é o que diz o próprio Leônidas da Silva.
Gols que Batizaram Grandes Estádios
Dia 16 de junho de 1950. O gigante Maracanã está em festa: vai ser inaugurado o maior estádio do mundo. Após as solenidades, as seleções de novos do Rio e de São Paulo tomam posições para o início do jogo, ante o incontido entusiasmo popular. O prefeito Mendes de Morais dá o pontapé inicial e o jogo começa. São 16 horas. E já aos 10 minutos o meia Didi anota para a representação guanabarina o primeiro gol no novo estádio. Mas, se a primazia do gol inaugural coube aos cariocas, a vitória foi dos paulistas, por 3 a 1.
O estádio do Morumbi, em São Paulo, foi estreado em 2 de outubro de 1960, com a partida entre o São Paulo e o Sporting de Lisboa. Vitória do São Paulo por 1 a 0, com o gol de Peixinho.
O Mineirão foi inaugurado no dia 5 de setembro de 1965 com o jogo da Seleção Mineira frente ao time do River Plate, de Buenos Aires. Os mineiros levaram a melhor pela contagem mínima, gol de Bougleus.
Os Inventores do Futebol
Apesar de ter um futebol famoso, o Brasil não inventou esse esporte. O futebol começou na Inglaterra, onde foi fundada, em 1863, a primeira federação de futebol: Football Association.
Os escoceses foram os primeiros adversários internacionais da Seleção Inglesa, numa partida disputada em Glasgow em 1872. Rapidamente os ingleses tomaram gosto por esse esporte que, em 1885, deixava de ser um hobby para ganhar também um aspecto profissional. Em 1897 um time inglês chamado Corinthians fazia sua primeira excursão fora da Europa, ficando uma temproada na África do Sul. Isso foi um grande incentivo para a Seleção Inglesa, conhecida internacionalmente como English Team, que, em 1889, foi jogar na Alemanha.
Em todas as iniciativas pioneiras o futebol inglês foi ganhando cada vez mais prestígio. Sua primazia, no início, era indiscutível. Tanto assim que a primeira derrota do English Team só aconteceu em 1929, em Madrid, quando perdeu para o time da Espanha.
Mas nem essa derrota abalou o vedetismo dos ingleses, que se recusaram a participar das primeiras Copas do Mundo por se julgarem superiores e não quererem disputar com seleções de nível técnico inferior.
A Inglaterra só mudou de opinião a partir de 1950, participando da Copa desenrolada no Brasil e perdendo até do modesto time dos Estados Unidos. Aí viram os ingleses que não eram mais os bambas do futebol. E trataram de se aperfeiçoar e acompanhar a evolução mundial, até que conseguiram, finalmente, vencer uma Copa do Mundo, a de 1966. Na partida final, o English Team bateu a Alemanha Ocidental por 4 a 2, jogando com: Banks; Cohen; Jack Charlton e Wilson; Stiles e Bobby Moore; Ball, Hurst, Hunt, Bobby Charlton e Peters. A conquista foi amplamente celebrada, e os jogadores ingleses tornaram-se heróis nacionais.
Para a Copa de 1970, a Seleção Inglesa era uma das favoritas, mas não passou das quartas de final. Mas as coisas piorariam ainda mais: na fase de classificação para a próxima Copa, os ingleses foram eliminados pela Polônia em pleno estádio de Wembley. Seu futebol, porém, continua a ser respeitado em todo o mundo.
Passes perfeitos, dribles desconcertantes e chutes violentos - eis as principais características de Roberto Rivelino, nascido em São Paulo em 1946 e hoje um dos astros mais bem pagos do futebol brasileiro. Seu futebol era grande demais para o Indiano, clube amador onde ele começou, e por isso foi levado para o Coríntians, onde, em 1964, se sagrou campeão paulista de aspirantes. No ano seguinte já era titular da equipe principal do clube do Parque São Jorge. Sua fama cresceu rapidamente e ele foi parar na Seleção Brasileira, tornando-se campeão mundial. Sobre ele disse Kramer, técnico da FIFA: "Em quinze minutos ele pode ganhar qualquer jogo".
Almanaque do Zé Carioca - Editora Abril
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O meu time preferido é o Timão Corinthians.
Hino do Corinthians
(Lauro D'Ávila)
Salve o Corinthians O campeão dos campeões Eternamente Dentro de nossos corações Salve o Corinthians De tradições e glórias mil Tu és o orgulho Dos esportistas do Brasil Teu passado é uma bandeira Teu presente, uma lição Figuras entre os primeiros Do nosso esporte bretão Corinthians grande Sempre altaneiro És do Brasil O clube mais brasileiro