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Outras Histórias





Bandeirantes

Para o povoamento da costa brasielira concorreram a atividade agrícola, principalmente a lavoura da cana-de-açúcar, a instalação de engenhos para a fabricação do açúcar, a exploração do pau-brasil e a defesa da colônia contra os estrangeiros. Quanto à penetração para o interior a causa principal foi a de riquezas minerais (ouro e pedras preciosas) ou a caça ao índio para escravizá-los e vendê-los no litoral. As expedições feitas com esse propósito tiveram o nome de entradas e bandeiras; também houve expedições organizadas pelos jesuítas e outros padres missionários para a catequese dos selvagens e fundação de aldeias e missões.
Outra forma de penetração importante foi a criação de gado. Depois de ocuparem as terras de Sergipe, onde alcançaram a margem direita do São Francisco, as fazendas de gado avançaram para o interior em várias direções. Alguns criadores, como Domingos Jorge Velho, que também foi bandeirante, internaram-se pelo sertão do Piauí. A forma interessante que o atual Estado do Piauí possui, mais larga no interior e mais estreita no litoral, resultou de haver começado o povoamento dessa região pelo sul, com os criadores do São Francisco.
Não há muita diferença entre entrada e bandeira. Contudo, as entradas eram muitas vezes organizadas pelo governo e nem sempre iam além do meridiano de Tordesilhas; as bandeiras, geralmente de particulares, não respeitaram esse meridiano e atingiram terras que pertenciam à Espanha. Além disso, as bandeiras partiam quase todas de São Paulo, aproveitando os rios, como o Tietê, que correm para o interior. Por isso, até hoje, São Paulo é chamado Terra dos Bandeirantes.
O estudo das bandeiras é importante porque elas tornaram conhecido o sertão, descobriram riquezas minerais e concorreram para aumentar o território para além do meridiano de Tordesilhas. Desse modo, ficaram sendo brasileiras terras que eram antes espanholas, como Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Foi Américo Vespúcio, piloto da expedição exploradora de 1503, quem fez a primeira entrada, penetrando no sertão de Cabo Frio com quarenta homens.
Martim Afonso, quando esteve no Brasil, ordenou que fossem feitas duas entradas, com o propósito de procurar ouro: uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. A do Rio de Janeiro compunha-se de apenas quatro homens e percorreu cerca de duzentos e trinta léguas. A segunda partiu de Cananéia, chefiada por Pero Lobo: era formada por oitenta homens e não voltou mais, tendo sido provavelmente atacada pelos índios carijós.
Também Tomé de Souza procurou saber se no Brasil havia ouro e por isso organizou uma entrada ao sertão baiano. A expedição, chefiada por Francisco Bruza Espinhosa, partiu já no governo seguinte, de D. Duarte da Costa.
Muito importante foi a entrada de Antonio Dias Adorno, neto de Caramuru, feita ao sertão baiano, durante o governo de Luís de Brito e Almeida. A expedição, que havia partido à procura de riquezas minerais, voltou com sete mil índios escravizados.
Também na Bahia foi feita a entrada de Gabriel Soares de Souza, português que havia escrito um livro sobre o Brasil. Essa entrada voltou, entretanto, em meio do caminho porque Gabriel Soares de Souza morreu, vitimado por impaludismo.
Das entradas que partiram de Sergipe, a mais notável foi a de Belchior Dias Moréia, outro neto de Caramuru. Belchior afirmou haver descoberto minas de prata na Bahia, na serra de Itabaiana. Segundo a tradição, Belchior Dias morreu sem revelar o seu segredo porque o rei não lhe quis conceder títulos de nobreza. A verdade é que ele mostrou as minas mas, quando foram examinar o material recolhido, verificaram que não era prata: tratava-se de malacacheta muito densa a ponto de ser confundida com o precioso metal. Esse episódio da História do Brasil serviu de assunto para o romance As Minas de Prata de José de Alencar.

As bandeiras - As duas finalidades das bandeiras eram a caça ao índio e a procura de riquezas minerais. Mas também houve bandeirantes que as autoridades contratavam para combater índios revoltados, como os cariris do Nordeste, ou agrupamentos de negros fugidos, como o que se formou em Alagoas e se chamou Quilombo de Palmares.
As bandeiras de caça ao índio, porque se destinavam à guerra no interior, contra as tribos selvagens ou contra as missões dos padres jesuítas, eram formadas de numerosa tropa, de que às vezes faziam parte milhares de índios mansos, armados de arco e flecha. Também de algumas bandeiras participavam escravos negros, que os paulistas chamavam tapanhunos. Os bandeirantes, geralmente mamelucos, levavam, além de outras armas, a escopeta, espécie de espingarda curta, e a espada. Para defender-se das flechas inimigas, vestiam-se com coletes de couro ou acolchoados de algodão; alguns também se armavam de escudos redondos, conhecidos pelo nome de rodelas.
Os alimentos, constituídos principalmente por farinha de mandioca e carne-seca, logo se acabavam, consumidos por tanta gente. Tinham então que recorrer a roças de milho, que faziam nos acampamentos mais demorados, ou à alimentação oferecida pela própria natureza: peixe, caça, palmito e frutos silvestres.
A bandeira possuía, além do chefe, que os paulistas daquele tempo chamavam capitão do arraial, um capelão, isto é, um padre para prestar assistência religiosa e, se a expedição era de caça ao índio, também um repartidor, pessoa que repartia entre os principais da bandeira os índios aprisionados.
As primeiras reduções ou aldeias dos jesuítas espanhóis, atacadas pelos bandeirantes, ficavam na região do Guairá, isto é, na parte ocidental do atual Estado do Paraná. Depois desses ataques em que se distinguiu o bandeirante Manuel Preto, conhecido pelo apelido de "Herói do Guairá", os padres espanhóis abandonaram essa região e foram fundar outras reduções no Uruguai (noroeste do Rio Grande do Sul), na região do Tape (centro do Rio Grande do Sul) e no Itatim (sul do Mato Grosso).
As aldeias dos jesuítas no Itatim foram atacadas por Antonio Raposo Tavares. Esse bandeirante, que era português, fez uma longa caminhada: subiu o rio Paraguai até às suas nascentes e, através de outros rios, atingiu o Amazonas, chegando à foz, no Pará, depois de três anos de jornada, enfrentando índios, feras e febres. Quando voltou à sua casa, em São Paulo, estava tão magro e envelhecido que nem a própria família o reconheceu. Espalhou-se depois a lenda de que Raposo Tavares havia penetrado em território do Peru, atravessado os Andes e, havendo chegado ao Pacífico, entrou na água com a espada em punho, declarando que conquistava terras e mares para seu rei.
A mais importante das bandeiras, que se dirigiu para Minas, foi a de Fernão Dias Pais, a quem o rei deu o título de Governador das Esmeraldas. O velho bandeirante, com mais de sessenta anos de idade, partiu de São Paulo, em 1674, à procura das famosas pedras. Levava, em sua companhia, o genro Borba Gato e o filho Garcia Rodrigues Pais. Depois de percorrer o sertão de Minas, durante sete anos, enfrentando todos os perigos, Fernão Dias morreu de impaludismo, junto ao rio das Velhas, com a certeza de haver descoberto esmeraldas. Entretanto, as pedras não passavam de turmalinas sem valor.
Ao morrer, Fernão Dias pediu ao filho, Garcia Rodrigues, para ser enterrado na vila de São Paulo. Ninguém sabe até hoje como o filho conseguiu embalsamar o corpo do pai, para depois levá-lo pelos piores caminhos, através de mais de mil quilômetros, até a vila, onde foi sepultado.
Ainda que não encontrasse as esmeraldas, a bandeira de Fernão Dias foi importante porque indicou o caminho para outras expedições que depois descobriram ouro. Garcia Rodrigues fez ainda duas expedições a Minas Gerais. Foi ele quem estabaleceu comunicações entre essa região e o Rio de Janeiro.
Outras bandeiras descobriram ouro em Mato Grosso e Goiás. As minas de Cuibá foram descobertas por Paschoal Moreira e as de Goiás, por Bartolomeu Bueno da Silva, filho do bandeirante do mesmo nome, ambos apelidados Anhangüera, palavra indígena que significa Diabo Velho.
Esse apelido Anhangüera teve origem num episódio interessante. Conta-se que Bartolomeu Bueno da Silva, o pai, não conseguiu convencer os índios a que lhes mostrassem onde iam buscar o ouro que traziam como adôrno; ameaçou então pôr fogo às águas do rio e, para provar seu estranho poder, incendiou o álcool que trazia numa vasilha. Os índios, desse modo iludidos, ficaram assombrados e chamaram-no de Diabo Velho (Anhangüera).
Com o descobrimento de riquezas minerais surgiram várias cidades do interior, como Cuiabá, em Mato Grosso, Caeté, Vila Rica, atualmente Ouro Preto, e Diamantina, em Minas Gerais. Esta última, Diamantina, era o antigo Arraial do Tijuco, onde foram descobertos diamantes.


Bandeirantes

A conquista do Centro e do Sul do Brasil. As entradas e as Bandeiras.


O sertão foi conquistado por entradistas e bandeirantes. - Quase todo o litoral tornou-se conhecido, depois da conquista das regiões do norte. A faixa costeira ficara mais longa, porém, o sertão continuava desconhecido. As entradas e bandeiras iriam descobri-lo, explorá-lo e dominá-lo.

As primeiras entradas deram-se logo após o descobrimento. - As entradas eram expedições organizadas por autoridades de governo. Algumas foram organizadas e custeadas por particulares.
Tais expedições compunham-se de homens armados que avançavam para o interior, procurando ouro, prata e pedras preciosas.
As primeiras entradas se realizaram logo depois do descobrimento, sendo famosas:

- 1ª - a que foi chefiada por Américo Vespúcio, em 1504 e que penetrou cerca de 40 léguas no sertão próximo de Cabo Frio;
- 2ª - a que, por ordem de Martim Afonso de Souza, partiu de Cananéia em 1531, e da qual não se teve mais notícias, supondo-se que os 80 expedicionários tenham sido mortos pelos carijós.
As entradas continuaram a ser realizadas nos 150 anos seguintes. Sua maior atividade se deu na Amazônia. Ali os entradistas desbravaram um território imenso.

Os bandeirantes incorporaram ao Brasil terras que pertenciam à Espanha. - As bandeiras eram expedições organizadas por particulares.

Estas expedições foram realizadas entre 1526 e 1719;
Avançaram corajosamente pelo sertão adentro e tanto quanto as entradas, não respeitaram a linha de Tordesilhas;
Ocuparam em conseqüência, terras que pertenceriam aos espanhóis;
Deram motivo a que, mais tarde, a Espanha reconhecesse como sendo portuguesas as terras ocupadas;
Fizeram com que o território brasileiro se tornasse três vezes maior do que seria, caso fosse cumprido o Tratado de Tordesilhas.
Enquanto as entradas partiam do litoral, as bandeiras saíam de vilas e povoados do interior, principalmente de São Paulo.

De começo os bandeirantes dedicaram-se ao apresamento de índios. - A região de São Paulo de Piratininga era pobre de recursos naturais: minérios e lavoura. Enquanto o Nordeste progredia com a exploração do pau-brasil e com a grande lavoura canavieira, a população de São Paulo era quase pobre. A necessidade de trabalhadores para a lavoura do Nordeste e homens para as guerras holandesas ajudou os paulistas a progredirem. Entregaram-se à caça do índio que escravizavam e vendiam para o Nordeste.
Quando já não podiam prender e escravizar indígenas, os bandeirantes passaram a explorar o terreno, à procura de pedras e metais preciosos.
Nessas duas modalidades de luta iam povoando o sertão, fazendo nascer as cidades do futuro, fundando lavouras fixas ou fazendas de criar.
Na primeira fase, os bandeirantes estenderam-se para o sul, ocupando as terras do Rio Grande. Na segunda fase, exploraram e ocuparam as terras de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás.

Tão valentes que pareciam fazer parte de uma raça de gigantes. - Possuidores de invejável coragem, os bandeirantes atravessaram campos, desertos e pântanos; abriram caminhos; fizeram picadas nas florestas; enfrentaram a natureza bravia, as feras e os índios; curtiam fome e sede levando a cabo uma grande tarefa. Realizaram esses homens a magnífica obra de devassar o Brasil: pelo Guaporé até o Amazonas, pelo Iguaçu até o Uruguai, pelo São Francisco até o Piauí.
Um sábio estrangeiro, apreciando tanta coragem, escreveu que os bandeirantes não pareciam pertencer a um povo igual aos outros. Seriam eles parte de uma "raça de gigantes".

Cinco nomes de bandeirantes famosos:

Antonio Raposo Tavares - Neste nome um historiador contou tantas letras quantos eram os Estados do Brasil, antes de 1960 (20). Com isto, queria significar que nesse bandeirante cabe toda a grandeza do Brasil. Com efeito Raposo Tavares explorou quase todos os pontos do país. Enfrentou índios e feras, percorrendo e devassando o Rio Grande, Mato Grosso, Goiás e grande parte da Amazônia.

Fernão Dias Pais - Organizou uma bandeira para descobrir esmeraldas, sendo por esse motivo apelidado de "governador das esmeraldas". Sua bandeira, de 1674, abriu caminho para outras expedições que encontraram ouro. Percorreu ele a imensa região dos rios São Francisco, Paraná e Doce. Morreu sem haver conseguido encontrar as esmeraldas, mas, teve a glória de ter explorado vasta área do sertão brasileiro.

Antonio Rodrigues Arzão - Dele se diz que encontrou amostras de ouro na região que, depois, se chamou de Gerais (bandeira de 1693). Não deu a manifesto, isto é, não declarou às autoridades a sua descoberta, como deveria ter feito. Falecendo pouco depois, teria deixado ao concunhado Bartolomeu Bueno de Siqueira, o roteiro e as indicações para uma segunda expedição. Antes de se chegar ao fim do século XVII, foram manifestadas legalmente as primeiras jazidas de ouro, à margem do rio das Velhas. Essa notícia espalhou-se por todo o Brasil e pela Europa, atraindo para a região das minas homens de diversas partes do mundo.

Bartolomeu Bueno da Silva - Percorreu este bandeirante, em companhia de seu filho, os territórios de Goiás, encontrando grande quantidade de ouro nas margens do rio Vermelho. Pai e filho receberam dos indígenas o apelido de Anhangüera.

Pascoal Moreira Cabral Leme - A ele cabe a glória de ter explorado o interior de Mato Grosso, descobrindo as famosas minas de ouro de Cuiabá.