O dia nascia preto e branco há 15 anos. O país esperava a noite que pintaria
a história do Corinthians ou da Ponte Preta. O mago Oswaldo Brandão acordara
e dissera ao seu camisa oito o sonho que tivera. "Você fará o gol da vitória".
João Roberto Basílio ouviu e sorriu, com a simplicidade da bola que jogava.
Contratado em janeiro de 1975, Basílio assumira o posto que havia sido por
dez anos de Rivelino. Um dos tantos craques que não foram campeões no
Corinthians, em 22 de espera. Basílio veio como reserva. É o titular da fiel
para sempre. Trinta e sete minutos do segundo tempo. Zero a zero. Mais de 86
mil corintianos enchiam o Morumbi, como em 22 anos lotaram o Pacaembu,
Parque São Jorge e outros parques. Há 22 anos a camisa preta e branca não
botava uma faixa de campeão no peito. Oito minutos para o fim do jogo, o
empate na prorrogação era do irmão. Mas ninguém queria o título no regulamento.
Sonhava apenas com um gol de campeão.
Trinta e sete minutos. Zé Maria bate a falta pela direita. Basílio roça a
cabeça na bola, que vai para Vaguinho no segundo pau. Pé direito, travessão;
rebote na cabeça do símbolo do suor, sangue e raça corintiana. Vladimir.
Testa na bola, o becão Oscar salva na risca fatal; novo rebote na direita,
aparece o sonho de Brandão, a realidade de sonho dos corintianos. Mais de
22 anos de bolas chutadas na trave, nas mãos dos goleiros, bolas perdidas
pela linha de fundo. Mas naquele segundo da noite de 13 de outubro, o pé
angelical de Basílio apareceu na grande área. Incontáveis chutes se perderam
pelas noites de 22 anos. Mas aquele chute de Basílio não foi perdido. A bola
passou por Polozi e bateu na rede da Ponte Preta. Dulcídio correu para o meio
do campo. Basílio foi para a galera. A torcida foi para o céu. Um gol sofrido.
Chorado. Suado. Raçudo. Lindo. Corintiano. Campeão.
Três dias antes dos 15 anos da taça levantada pelos pés de Basílio, as mãos
do técnico Basílio pegaram o boné e deixaram o Corinthians. Deixaram a
porta aberta para Nelsinho, o almirante da brilhante conquista do Timão em
1990. Quando os seus grunetes jogaram mais do que sabiam. Hoje, o Corinthians
tem um timaço que anda jogando menos do que sabe. No dia dos 15 anos da
conquista gloriosa, o Timão, pode começar a ganhar o Paulistão de 1992. Se
houver união e o espírito de 77, o Corinthians poderá ir além do sonho.